É bem comum vermos pais ansiosos indagando os professores, querendo saber quando os filhos estarão lendo e escrevendo, uma vez que eles estão no 1º Ano do Ensino Fundamental. Em algumas escolas, a cobrança chega até mais cedo, com as crianças ainda na Educação Infantil. Em muitos casos também, a ânsia por esse resultado acontece pelos próprios professores, quando não, dos outros profissionais envolvidos na escola, como coordenação e direção.
O que muitos pais não sabem, e muitos profissionais de educação, por aí afora, e que não estão levando em consideração, é que a criança antes de aprender a ler e a escrever, primeiro, precisa conquistar algumas etapas no seu desenvolvimento infantil. Enquanto não vivencia certas experiências, ela não aprende. Isso não quer dizer que ela tenha algum transtorno ou déficit de atenção.
Claro, que em muitos casos, a dificuldade na aprendizagem se dá por questões que não se referem apenas a do amadurecimento e, isso precisa ser acompanhado com atenção pelos profissionais envolvidos, para que, tanto a criança que realmente tem um déficit ou transtorno possa ser direcionada adequadamente, bem como aquela que ainda não aprendeu, por questões de imaturidade, tenha seu tempo de desenvolvimento respeitado sem receber rótulos desnecessários que só irão dificultar a sua caminhada acadêmica.
Esse é um dos diferenciais da Pedagogia Waldorf, que leva a sério os aspectos que revelam a maturidade da criança para ingressar no 1º Ano do Ensino Fundamental. Cada criança tem seu tempo e ritmo respeitados. O professor sabe que a sua turma é como uma mangueira: umas mangas amadurecem antes, outras depois; se colhermos o fruto antes da hora, vamos saboreá-lo em azedume e não poderemos mais saber a que doçura aquele fruto chegaria se tivéssemos lhe dado tempo de crescer e amadurecer. Assim, mesmo a escola Waldorf sendo obrigada, por Lei nº 11. 114/2005, a matricular as crianças, com seis anos, no primeiro ano, nem todos estarão prontos para o aprendizado da leitura e da escrita. Então, uns vão aprender antes, outros depois e assim, gradativamente a sala se tornará homogênea quanto a aprendizagem da leitura e da escrita. E, às vezes, isto só acontece no segundo semestre do 2º Ano. Essa, é uma das vantagens, também, de ter o mesmo professor de classe acompanhando as crianças do 1º ao 9º Ano, como acontece nas Escolas Waldorf. Assim, ele pode trabalhar de forma efetiva no desenvolvimento da criança percebendo seus avanços e atuando mais assertivamente como facilitador da aprendizagem.
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A criança até os seis, sete anos de idade vivencia uma fase em que seu desenvolvimento físico, psíquico, emocional, social, intelectual se dá pelo brincar, principalmente o brincar livre. No Jardim, ela pode fazer isso ludicamente, através do movimento e da imitação, e dessa forma, conquistar a coordenação motora ampla e fina, percepção do esquema e imagem corporal, força imaginativa e criativa, apreender o mundo e aprender com o mundo. A partir daí, as forças que estavam atuando na formação do seu instrumento corpóreo são liberadas, então, para a aprendizagem. Isso é revelado nas crianças através de muitos fatores como a postura, a dentição, lateralidade etc.
Muitos são os desafios enfrentados pelos professores e principalmente pela criança que chega para a alfabetização sem estar pronta nos aspectos acima relacionados.
O que olhar na criança para saber se ela conquistou a maturidade para ingressar na alfabetização?
Infelizmente, cada vez mais cedo as crianças são empurradas para a alfabetização. Algumas não são respeitadas, nem mesmo, na idade limite governamental, uma vez que, já no Maternal lhe são apresentadas as letrinhas. O custo disso é o agravante número de crianças com dificuldades emocionais e de aprendizagens, em geral.
Também é muito comum crianças demonstrarem prontidão nos aspectos físicos, mas estarem emocionalmente inseguras, ou então, não terem desenvolvidos aspectos cognitivos importantes.
Para essa identificação é preciso o olhar atento e constante do professor e de toda a equipe pedagógica da Escola. Assim, também os pais podem, em muito, ajudar a sua criança a se alfabetizar sem estresse e ansiedade, de forma leve e prazerosa, como deve ser todo o aprendizado da vida escolar da criança.
Referências
AMARANTE, Maria Chantal. Prontidão Escolar.
BERTALOT, Leonore. A passagem do jardim da infância para a escola.
BORBA, Pilar Tertilla Manzano. Prontidão para o Ensino.
ELKIND, David. O direito de ser criança: problemas da criança apressada. Editora Fundo Educativo Brasileiro, 1982.
LANZ, Rudolf. Pedagogia Waldorf: caminho para um ensino mais humano. Editora Antroposófica, 9ª edição, 2005.
OLIVEIRA, Gislene Campo. Psicomotricidade. Editora Vozes, 6ª edição, 2002.

