No episódio anterior, a fadinha da Paz contou a história de Cosme e Damião, dois irmãos gêmeos que curavam as pessoas com o coração cheio de bondade.

Felipe, o destemido

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido

Após ouvir a história Rosinha foi ao quarto da sua mãe para ver se ela estava melhor. E encontrou Dona Helena dormindo como um anjo. Deu-lhe um beijo e saiu do quarto sem fazer barulho.
Chegando na sala, não viu mais a Fadinha da Paz e sim, seu Antônio fazendo um afago em Pingo.
– Papai, a mamãe está melhor, não é mesmo?


– Está sim, querida. Só está precisando ficar um pouco de repouso.

– Tudo bem! Vou para o jardim, brincar um pouco. Vem Pingo! – Disse Rosinha, convidando Pingo para irem brincar lá fora.
Rosinha deu umas duas voltas no jardim, na sua bicicleta, com Pingo correndo atrás, quando viu um portal de flores, atrás do balanço.
“Nossa que lindo! Como é possível eu não ter percebido isso antes?” – pensou Rosinha, dirigindo-se para o portal de flores, no balanço, curiosa.

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido

Assim que chegou em frente ao portal, viu que algo brilhava do outro lado, mas ela nem teve chance de fazer nada, porque Pingo, mais curioso que ela, passou pelo portal. Era uma passagem secreta, para outro lugar, porque Rosinha não conseguia mais ver Pingo, no jardim da sua casa.
Sem demora, Rosinha, encheu-se de toda a coragem que podia e foi atrás do amigo.
Quando passou pelo portal, se viu numa floresta. Mas, não encontrou Pingo.
– Pingoooo! Cadê você amigo?


Rosinha viu algo se mexendo no mato e se escondeu atrás de uma árvore, pois não sabia o que era e podia ser perigoso.
Ouvia os passos se aproximarem, prendeu a respiração, para não fazer nenhum barulho. Mas, não adiantou muito, pois logo estava diante dela uma raposa.
– Quem é você menina? E o que fazes aqui no Encanto de Floresta?

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido


– Oi, eu sou Rosinha e vim em busca do meu amigo, Pingo. Então, eu estou no Encanto de Floresta? Como faço para encontrar meu amigo e voltar para casa?


– Nossa! Você faz muitas perguntas. Diga-me uma coisa: como vocês vieram parar aqui?


– Um portal de flores se abriu no jardim da minha casa, quando brincávamos. Daí, curioso, ele não esperou para averiguar e passou logo. Eu passei em seguida, pois não quero deixá-lo sozinho. Por isso estou aqui.

– Sabe que faz muito tempo o Portal de Flores para o Encanto de Floresta não se abria? De uma certa forma, vocês são privilegiados. Mas cuidado para não encontrar a Dona Rebelde. É a única criatura temível por essas bandas.


– Dona Rebelde? – perguntou Rosinha, apreensiva.

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido


– Sim, é uma grande serpente. Na verdade, ela era uma linda princesa, filha do rei desse reino. Mas, quando cresceu deu ouvidos ao Mancha, a sua sombra escura, e secretamente planejou ocupar o trono do seu pai. O rei do Encanto de Floresta sabia que alguém estava planejando ocupar o seu trono, porque ele sentia em seu coração, mas não sabia quem era. E jamais poderia imaginar que era a sua filha. Preparou uma poção mágica e derramou sobre o trono. Convocou a todos os seres viventes daquele reino e disse que aquele que estivesse com o coração manchado deveria se aproximar e sentar-se em seu trono. Para a sua surpresa, a sua filha, aproximou-se e sentou-se no trono enfeitiçado. Assim que sentou-se transformou-se numa cobra gigante e saiu sorrateira para dentro do matagal. A partir daquele dia, Dona Rebelde vive pelo Encanto de Floresta como serpente e ninguém quer encontrá-la.
Rosinha ouvia tudo atentamente.

– E você quem é? – perguntou Rosinha.


– Eu sou a…

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido


Quando a raposa ia dizer quem é, viu uma grande serpente. E gritou:
– Corra Rosinha, corra! Olha! É a Dona Rebelde.
Quando Rosinha olhou para trás, viu a serpente. Já se preparava para correr quando viu Pingo enrolada em seu rabo.
Rosinha olhou para o lado e não viu mais a raposa.
– Solte meu cachorro! – disse Rosinha com a voz firme.


– Há, há, há… Quem pensa que é para me dar ordens! – disse a serpente.


– Não penso nada. Só quero que solte meu amigo. Já sei quem você é, a raposa me contou tudo.
Quando Rosinha falou aquilo, a serpente ficou tão furiosa e começou a apertar Pingo, que gemia de dor. Estava sendo esmagado.
Rosinha sem saber, ao certo o que fazer, gritou:
– Socorroooo!


E quando gritou por socorro, um menino vestindo uma túnica verde e gorrinho vermelho, apareceu em sua frente.
– Quem gritou por socorro? Felipe, o destemido! Defensor dos fracos e oprimidos! Pronto! Defenderei da Rebelde e sua Toca, bichos grandes e minhocas.


– Fui eu! – disse Rosinha. – A Dona Rebelde está esmagando o meu amigo Pingo.

Elda paz - Contos de Paz - Felipe, o destemido


– Rebelde! Deixe Pingo e saia fora! Corra agora, para longe, sem demora!
Assim que falou isso, Felipe, o destemido, tocou na estrela que trazia no peito. Uma grande luz irradiou daquela estrela que ficava bem próximo ao seu coração. Dona Rebelde quando viu o brilho da estrela, soltou Pingo e correu sem parar.


Rosinha abraçou Pingo. E quando levantou o olhar para agradecer a Felipe, ele não estava mais lá. Mas, mesmo assim, ela disse:
– Muito grata Felipe, por salvar o meu amigo. Falarei de você para todos que encontrar. Felipe, o destemido, defensor dos fracos e oprimidos.


Quando o susto passou, a raposa voltou e disse:
– Rosinha e Pingo, venham por aqui. Quem sabe logo adiante, encontraremos o portal de flores.